Teste: novo Renault Kwid evolui, mas não tanto quanto o preço de R$ 60 mil

Basicão, carro mais barato do Brasil já custa R$ 60 mil. E é melhor você se acostumar com isso Juro que eu tentei não usar a exaustiva expressão “novo normal”, mas ela coube como uma luva para o título desta avaliação do novo Renault Kwid Zen 2023. Isso porque o carro mais barato à venda no Brasil não custa mais os R$ 30 mil de tempos atrás, e sim exatos R$ 59.090(!). E vale o preço? Antes de responder a essa pergunta precisamos entender as novas cifras. Inflação, pandemia, crise no setor, desaceleração da economia, falta de insumos e desvalorização da moeda são alguns dos motivos para tentar explicar o (alto) valor. Veja também Entretanto, o fato é que, hoje, você não compra um zero km no Brasil por menos de R$ 60 mil. O Fiat Mobi Like, rival direto, é tabelado em R$ 60.903(!). E lembre-se: são veículos para lá de básicos. Para-choque e arranjo interno da lanterna são novos; as rodas de 14" são de ferro Divulgação E o que o Kwid Zen 2023 tem a oferecer? Não muita coisa, como já disse, mas há novidades: sistema start/stop, assistente de partida em rampa, monitoramento da pressão dos pneus e controle de estabilidade agora são de série. Já as rodas com três parafusos, o solitário limpador de para-brisa e os famigerados pininhos para ajuste dos retrovisores continuam — sem falar dos comandos dos vidros elétricos, localizados de forma antiquada (no painel central, não nas portas). Painel de instrumentos agora traz velocímetro digital Divulgação Como os botões não têm a função “um toque”, é preciso esticar o braço para descer ou subir os vidros completamente. Atrás, você terá de fazer aquele esforcinho nas manivelas. Mas a percepção do interior melhorou bastante. Apesar dos plásticos duros por todo lado, o painel de instrumentos mudou e agora traz velocímetro digital; já os bancos revestidos de tecido têm um padrão bem bonito. Só poderiam ter mais apoio. Em movimento, o Kwid permanece sendo um bom carrinho para o dia a dia (apesar do preço). O motor três cilindros 1.0 aspirado flex passou por mudanças. Não há mais tanquinho de combustível para partidas a frio e uma mexida na central eletrônica, por isso gera 71 cv e 10 kgfm quando abastecido com etanol — um ganho imperceptível diante dos números anteriores, de 70 cv e 9,8 kgfm. Multimídia? O carro mais barato do Brasil tem apenas rádio com Bluetooth e entrada USB Divulgação Com baixo peso (exatos 818 kg), o Kwid é espertinho na medida do possível na cidade e vai do ponto A ao ponto B com certa dignidade. O câmbio é o mesmo manual de cinco marchas, com bons engates e curso curto — não chega a ser igual aos de Honda ou de VW, referências nesse quesito, mas não é molenga e impreciso como o dos carros da Fiat. A direção elétrica poderia ser mais assertiva, especialmente em velocidades elevadas, para dar ao motorista uma sensação de maior controle do carro. Grade e para-choque foram redesenhados; no facelift, o farol de neblina ficou para trás Divulgação Graças ao start/stop de série, o consumo deu uma leve melhorada: em trecho urbano, os números saltaram de 10,3 km/l para 10,8 km/l com etanol e de 14,7 km/l para 15,3 km/l com gasolina. Grande parte dessa melhoria está relacionada ao star/stop. O espaço, claro, não é um dos pontos fortes. O subcompacto é estreito para os ombros dos passageiros, tanto os da dianteira quanto os da traseira (1,57 metro de largura). Já o porta-malas tem um bom volume em relação ao porte do carro: 290 litros. O subcompacto tem 2,42 m de entre-eixos e estreitos 1,57 m de largura Divulgação O Kwid também passou por um banho de loja. A principal mudança se deu na dianteira, com o conjunto óptico duplo: luzes diurnas de LED na parte superior e faróis principais de dupla parábola logo abaixo — alô, Fiat Toro! O estilo é polêmico, mas deixou o carro com um aspecto mais jovial e moderno, além de chamar bastante a atenção nas ruas. Para-choque e grade também foram redesenhados, ou seja, o novo design bebe muito da fonte do Kwid indiano. Na traseira, a mexida é mais sutil, apenas com o novo arranjo interno das lanternas de LED. Kwid ganhou DRL em LED e os faróis de dupla parábola ficaram mais para baixo Leo Sposito O Kwid evoluiu, isso é fato. Mas o preço evoluiu (bem) mais. Juro que tentei achar onde estão os R$ 60 mil cobrados pelo compacto, mas não consegui. Deve ser o novo normal. Renault Kwid Zen Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital. Mais Lidas
source https://autoesporte.globo.com/testes/noticia/2022/03/teste-novo-renault-kwid-evolui-mas-nao-tanto-quanto-o-preco-de-r-60-mil.ghtml
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