Teste: Jeep Renegade 1.3 turbo vira referência em desempenho, mas não em consumo


Jeep Renegade 2022 é o SUV mais potente da categoria, mas ainda é assombrado por velhos fantasmas, como o excesso de peso O Jeep Renegade subiu na vida. Não que precisasse, já que esteve no pódio dos SUVs no Brasil nos últimos três anos e foi o mais vendido em dois deles. Isso sem ser o mais barato, ou o mais potente, econômico e espaçoso. Pois a Jeep investiu pesado na linha 2022 e resolveu parte desses problemas. Agora, quem compra um Renegade pode se orgulhar de dizer que tem o SUV compacto mais potente do país (o desempenho é assunto para daqui a pouco). Só que o dono ainda precisa desconversar quando o papo se encaminha para consumo de combustível. Isso porque o novo motor 1.3 turbo solucionou as questões de desempenho, mas não fez milagres para deixar o modelo verdadeiramente econômico. E olha que a versão avaliada, Longitude, ficou 4 kg mais leve. Ainda assim, tem excessivos 1.476 kg. Jeep Renegade Longitude ficou 4 kg mais leve, mas mesmo assim pesa 1.476 kg Murilo Góes São exatos 230 kg a mais do que o SUV compacto mais ligeiro testado por nós recentemente, o Peugeot 2008 1.6 THP. O que isso quer dizer? É como se, além do motorista, o Renegade carregasse sempre mais três pessoas de 75 kg cada. Entretanto, as comparações possíveis com o Peugeot se limitam ao desempenho. Por fora, a linha 2022 se destaca pela discreta atualização visual. Na frente, o para-choque foi prolongado e as tradicionais sete barras da grade ficaram mais largas. Atrás, as lanternas também receberam lentes redesenhadas, mantendo a temática do galão de combustível presente no Jeep pioneiro. Saiba mais A Jeep ainda recheou o Renegade de equipamentos, aumentou os preços e dobrou a aposta no motor 1.3 como grande protagonista da história. Além de aposentar o jurássico 1.8 aspirado de 139 kg, o propulsor terá a dura missão de substituir o elogiado 2.0 turbodiesel de 170 cv nas versões 4x4, que certamente serão avaliadas quando disponíveis. Por ora, a configuração oferecida é a Longitude. Ela custa R$ 138.410 e é a mais completa quando o motor 1.3 é combinado com câmbio automático de seis marchas e tração dianteira. Tem faróis full-LED, frenagem automática de emergência, assistente de centralização de faixa, quadro de instrumentos digital e central multimídia de 8,4 polegadas com integrações sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. Porém, equipamentos compatíveis com essa faixa de preço, como um simples sensor de luz ou acesso por chave presencial e partida por botão, não são oferecidos nem como opcionais. O Longitude tem ar-condicionado digital de duas zonas, central multimídia de 8,4 polegadas e quadro de instrumentos digital Murilo Góes Para contar com esses recursos o cliente tem de investir mais R$ 24.300, escalar para o Série S e levar (forçado e talvez sem querer) tração 4x4 e câmbio automático de nove marchas. Ruim para o consumidor, bom para a Jeep, que pode lucrar mais e corre poucos riscos de perder uma venda, já que nenhum rival disponibiliza esses itens por preços consideravelmente mais baixos. Não causaria espanto se a antiga versão Limited voltasse nos próximos meses oferecendo alguns desses equipamentos e com preço na casa de R$ 150 mil. Enquanto isso não acontece, o Renegade Longitude deve ser o mais vendido da linha. Na cabine, bancos de couro marrom são vendidos como opcionais por R$ 1.240 Murilo Góes 4 segundos A pressa pode até ser inimiga da perfeição, mas lentidão em excesso também não agrada. E os donos de um Renegade flex sabem bem disso. Afinal, levar longos 12,7 segundos para acelerar de zero a 100 km/h era mais do que um teste de paciência. Pois esse problema acaba de se tornar passado. Com o novo motor 1.3 T270 (nome em alusão aos 270 Nm de torque), o Renegade 2022 está de fôlego renovado. São 185 cv e 27,5 kgfm de torque. Na comparação com o antigo 1.8 aspirado, potência e torque subiram 46 cv e 8,3 kgfm, respectivamente. Além disso, o torque máximo é entregue em um regime mais baixo de rotações: 1.750 rpm, contra 3.750 rpm de antes. Com o mesmo desenho básico desde 2016, novo Renegade passa quase despercebido nas ruas Murilo Góes Mais do que ter esses dados na ficha técnica e o simbólico título de SUV compacto mais potente do Brasil, o Jeep ficou muito mais ágil. Quer prova maior do que a redução de 4,1 s no tempo de aceleração de zero a 100 km/h? Os 8,6 s o colocam abaixo apenas de Citroën C4 Cactus, Peugeot 2008 e Honda HR-V 1.5 turbo, esse último prestes a mudar. A marca é melhor até do que os 8,8 s divulgados pela fábrica e também do que a de rivais diretos, como Volkswagen T-Cross 1.4 (9 s cravados) e Chevrolet Tracker 1.2 (9,5 s). Nas retomadas, ele repete os bons números, com destaque para os 4,5 s necessários para ir de 60 a 100 km/h. Lateral tem novo desenho nas rodas aro 18 e inscrição Renegade com fonte mais elegante Murilo Góes Tão importante quanto o tempo gasto para acelerar ou retomar é a forma como tudo isso acontece. E essa talvez seja a melhor notícia. O casamento entre o motor 1.3 turbo e o câmbio automático de seis marchas (o mesmo usado no modelo anterior) é o mais harmonioso entre os carros da Stellantis que usam esse conjunto. As trocas são suaves e ocorrem quase sempre no momento correto. Se necessário, o motorista pode fazer as mudanças manualmente, seja por meio de aletas atrás do volante, seja utilizando a própria alavanca. Nos dois cenários, o motorista do Renegade não vai mais ter calafrios quando precisar fazer uma ultrapassagem na estrada. O comportamento dinâmico continua sendo um dos pontos fortes do Jeep. A suspensão traseira multilink é um diferencial em uma categoria dominada pelo simples eixo de torção. Caso os proprietários queiram vivenciar algum tipo de aventura, o sistema Traction Control + pode ajudar a encarar terrenos com menor aderência freando a roda que gira em falso. Não chega a ser um sistema 4x4, mas a maior parte dos clientes dessa versão nem sequer vai colocar os pneus na terra. Quadro de instrumentos e motor 1.3 (abaixo) também estão na Fiat Toro Murilo Góes Todavia, há ressalvas na linha 2022. Uma delas é o ruído do motor, que acaba invadindo a cabine com frequência e volume indesejados. Outro, mais grave, é o consumo de combustível. Nem a troca de motores corrigiu esse problema já antigo e conhecido, principalmente na cidade. O Renegade está mais econômico, isso é fato, contudo ele ainda fica longe de ser referência em sua categoria. A questão passa pela plataforma Small Wide, versátil, mas que joga contra. É dela grande parte da “culpa” pelos elevados 1.476 kg do Renegade. E isso nem seria uma questão negativa se o peso extra fosse sinônimo de espaço extra. Seus 2,57 metros de entre-eixos o colocam entre os mais acanhados do segmento. O porta-malas, que milagrosamente cresceu de 320 litros para 385 l, também não é referência, principalmente diante dos cerca de 430 litros de Hyundai Creta e Nissan Kicks. Formato básico de caixote não mudou, bem como os faróis redondos e as lanternas quadradas Murilo Góes e Divulgação Ao menos o espaço para a cabeça é excelente, até mesmo para adultos com mais de 1,80 m. De modo geral, a vida a bordo do SUV compacto é bastante agradável. A grande área envidraçada torna o habitáculo claro. A Jeep ainda manteve o alto padrão de acabamento, com ótima montagem e materiais de boa qualidade. Os mais curiosos podem se divertir caçando “easter eggs” como a famosa silhueta das sete barras e faróis redondos na capa do retrovisor interno. A linha 2022 agregou também o quadro de instrumentos digital da “prima” Fiat Toro e o volante emprestado da dupla Compass e Commander. A unidade avaliada trazia bancos de couro marrom, um opcional vendido por R$ 1.240. Na comparação com o antigo 1.8 aspirado, potência e torque subiram 46 cv e 8,3 kgfm Murilo Góes Com eles, o preço esbarra nos R$ 140 mil, praticamente empatado com o Chevrolet Tracker Premier, de R$ 139.270, mas ainda abaixo dos equivalentes em equipamentos Hyundai Creta Platinum, de R$ 148.490, e Volkswagen T-Cross Comfortline, de R$ 147.350. Só que os três citados têm motor 1.0 turbo com desempenho inferior. Isso só deve facilitar a jornada do Renegade e fazer da liderança do segmento algo rotineiro. Cabine é repleta de "easter eggs", como silhueta do Jeep clássico na capa do retrovisor Murilo Góes Versões Sport - R$ 123.908 Faróis full LED, frenagem de emergência, alerta de saída de faixa com correção no volante, freio de estacionamento eletrônico, central multimídia de 7 polegadas Longitude - R$ 138.410 Itens da Sport mais ar-condicionado digital de duas zonas, bancos de couro, rodas aro 18, central multimídia de 8,4 polegadas e quadro de instrumentos digital Série s 4x4 - R$ 164.136 Itens da Longitude mais tração 4x4, câmbio de nove marchas, sensores crepuscular e de chuva, estacionamento autônomo, acesso por chave presencial e partida por botão Trailhawk 4x4 - R$ 164.136 Itens da Série S mais suspensão elevada, pneus de uso misto, melhores ângulos de ataque e saída e proteções para uso off-road Jeep Renegade é vendido em quatro versões e os preços vão de R$ 123.908 a R$ 164.136 Murilo Góes Jeep Renegade Longitude Jeep Renegade Longitude Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? 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source https://autoesporte.globo.com/testes/review/2022/03/teste-jeep-renegade-13-turbo-vira-referencia-em-desempenho-mas-nao-em-consumo.ghtml

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